19 de junho de 2015

Instagram

Não é tu quem escolhe o trabalho, é o trabalho quem te escolhe. A vibe perfeita pra um começo, o profissional exemplar, nada escapou, nem um detalhe, mesmo eu falando: Rafa, tá doendo um pouquinho. Não foram uma ou duas horas, foram seis horas de um realismo perfeito. Seis horas tatuando, as vezes o pulso doía, mas o nervosismo em ver o produto final era maior, as vezes ele percebia na minha cara que estava doendo um pouco, mas ambos sabiam que seria um puta trampo, muito recompensador, e gratificante para ambos, pago pau mesmo, quando o profissional é foda e faz um bom trabalho pago pau. Só tenho a agradecer a esse grande amigo, que topa uns trampos locos comigo, um puta profissional, e um baita amigo, aquele que faz o estúdio parecer a tua casa, lugar aconchegante que te faz ter vontade de voltar sempre. O primeiro realismo dele, e foi comigo, na hora não agradeci o suficiente, mas saiba fera, tu tá de parabéns, por mais esse trampo foda, isso só mostra o profissional exemplar que tu é. Quando me perguntarem com quem foi que tatuei, vou ter orgulho em dizer que foi contigo. Puro Sangue Tatto é realmente uma família!!!

[...] I knew I hadn't met my match

But every moment we could snatch
I don't know why i got so attached [...]



18 de junho de 2015

Mário de Andrade - Gay ou não?!

‘Não adiantava nada pra mim porque em toda vida tem duas vidas, 
a social e a particular, na particular isso só interessa a mim’
- Mário de Andrade
Em carta a Manuel Bandeira.


Assim começa um trecho da tão famosa carta, fechada a sete chaves de Mário de Andrade a Manuel Bandeira, onde a suposta Homossexualidade de Mário foi colocada em questão, carta essa revelada em fragmentos que hoje mostra muito mais que isso, mostra o trecho que tinha sido "escondido" por várias questões até hoje - só quero ressaltar aqui a minha paixão incondicional por ele, esse cara é um dos mais fodas na minha opinião, segue trecho:


Mário “inventou” o intelectual hiperativo. Foi poeta, romancista, cronista, crítico de arte, musicólogo, etnógrafo, fotógrafo, professor, colecionador de arte. Esquece de citar o contista e orientador cultural de uma geração.


"Mas em que podia ajuntar em grandeza ou milhoria para nós ambos, para você, ou para mim, comentarmos e eu elucidar você sobre minha tão falada (pelos outros) homossexualidade. Em nada. Valia de alguma coisa eu mostrar um muito de exagero que há nessas contínuas conversas sociais não adiantava nada pra você que não é indivíduo de intrigas sociais.

Pra você me defender dos outros, não adiantava nada pra mim, porque em toda a vida tem duas vidas, a social e a particular, na particular isso só me interessa a mim e na social você não conseguia evitar a socialisão absolutamente desprezível de uma verdade inicial.

Quanto a mim pessoalmente, num caso tão decisivo para a minha vida particular como isso é, creio que você está seguro que um indivíduo estudioso e observador como eu, ha-de estar bem inteirado do assunto, ha-de tê-lo bem catalogado e especificado. Ha-de ter tudo normalisado em si, si é que posso me servir de "normalisar" neste caso. Tanto mais Manu, que o ridículo dos socializadores da minha vida particular é enorme. Note as incongruências e contradições em que caem: o caso de "Maria" não é típico. Me dão todos os vícios que por ignorância ou interesse de intriga são por eles considerados ridículos e no entanto assim que fiz de uma realidade penosa a "Maria", não teve nenhum que caçoasse falando que aquilo era idealização para desencaminhar os que me acreditam nem sei o quê, mas todos falaram que era fulana de tal. Mas si agora toco neste assunto em que me porto com absoluta e elegante discrição social, tão absoluta que sou incapaz de convidar um companheiro daqui a sair sozinho comigo na rua (veja como tenho minha vida mais regulada que máquina de precisão) e se saio com alguém é porque esse alguém me convida. Si toco no assunto, é porque se poderia tirar dele um argumento para explicar minhas amizades platônicas, só minhas.

Ah, Manu, disso só eu mesmo posso falar. E me deixe que ao menos para você, com quem apesar das delicadezas da nossa amizade, sou de uma sinceridade absoluta, me deixe afirmar que não tenho nenhum sequestro não. Os sequestros num caso como este, onde o físico que é burro e nunca se esconde entra em linha de conta como argumento decisivo, os sequestros são impossíveis.
Eis aí os pensamentos jogados no papel sem conclusão nem consequência. faça deles o que quiser."